Cientistas querem revelar 8 bilhões de anos-luz “perdidos” da evolução do universo

Cientistas da Universidade Monash (Austrália) desenvolveram um método para detectar a presença de mais de dois milhões de eventos de ondas gravitacionais até agora “perdidos”, o que significa observar mais de 8 bilhões de anos-luz além do que estamos fazendo atualmente.

“Isso nos oferecerá uma imagem de como o universo jovem se parecia, ao mesmo tempo em que fornecerá informações sobre sua evolução”, disse o Dr. Rory Smith, do Centro ARC de Excelência em Descoberta de Ondas Gravitacionais da Universidade Monash.

Ei, faltam dois milhões aqui

Recentemente, a ciência fez um enorme avanço quando os detectadores de ondas gravitacionais LIGO e VIRGO começam a funcionar, identificando 35 eventos a partir da fusão de buracos negros e de estrelas de nêutron.

Isso é ótimo, mas acontece que existem provavelmente outros dois milhões de eventos deste tipo – um par de buracos negros se fundindo a cada 200 segundos, e um par de estrelas de nêutron a cada 15 segundos – gerando ondas gravitacionais que não estamos detectando.

Agora, uma equipe australiana criou um método para detectarmos a presença desses eventos fracos sem necessidade de verificar cada um individualmente, apenas medindo as propriedades de fundo das ondas gravitacionais.

Problemas

A maioria das fusões compactas produzem ondas gravitacionais fracas demais para gerar uma detecção não ambígua. Logo, muitas informações passam batido pelos observatórios hoje.

O novo método, que deve consertar isso, está atualmente sendo testado pelo pessoal do LIGO e deve estar totalmente operacional em alguns anos.

Uma espiada na evolução do universo

Enxergar todas as fusões binárias de buracos negros é importante porque esses eventos – que liberam quantidades enormes de energia na forma de ondas gravitacionais – carregam informações sobre o espaço-tempo e a matéria nuclear nos ambientes mais extremos do universo.

De acordo com Eric Thrane, coautor do estudo também da Universidade Monash, observações individuais de ondas gravitacionais “traçam a evolução das estrelas, de aglomerados de estrelas e das galáxias”.

“Reunindo informações de muitos eventos de fusão, podemos começar a entender os ambientes em que as estrelas vivem e evoluem e o que causa seu destino final como buracos negros. Quanto mais longe enxergamos as ondas gravitacionais dessas fusões, mais jovem era o universo quando elas se formaram”, esclareceu.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Royal Astronomical Society. [Phys]

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