Internet elege novas saudações em tempos de coronavírus… –

Saudação de Spock é extremamente eficaz contra o coronavírus

Especialistas de saúde advertem: para evitar o corona vírus, a população deve limitar o contato humano. Em meio a isso, estão aperto de mão, abraços e beijos, os mais comuns tipos de saudações feitas por nós, impraticáveis por conta da possibilidade de contágio, tal situação  fez-me lembrar os tempos em que a serie clássica de STAR TREK era exibida ainda em P/B (preto e branco) nas tardes de sábado nas TV abertas do Brasil,  estou falando da  saudação dos vulcanos, que apareceu pela primeira vez em 1967, consiste em levantar a mão e exibir a palma para o interlocutor, separando o dedo médio do anelar e dizendo: “Live long and prosper” (“Vida longa e próspera”).

Segundo seu criador o saudoso ator  Leonardo Nimoy, que tinha família judaica quando era pequeno, estava em uma cerimônia na sinagoga quando viu um rabino separar os dedos da mão daquela maneira para dar a bênção. Era para fazer alusão à letra “shin” do hebraico, que nesse caso era usada para representar divindade.

O gesto normalmente é acompanhado pela frase “Live long and prosper” (“Vida longa e próspera”).

A origem desse gesto está na “Bênção dos Cohanim” (plural de Cohen), ou “Birkat Kohanim”, em hebraico. Formam os Cohanim uma casta de sacerdotes judeus (é uma linhagem familiar), que seriam descendentes de Aarão, o irmão mais velho de Moisés — hoje identificados pelo haplotipo chamado Cohen Modal Haplotype (CMH).

Acompanhado de três versos, o gesto é feito com ambas as mãos. E reproduz a sefiroth (letra hebraica) Shih, que significa “Todo Poderoso”. Gestual reproduz “Todo Poderoso” em hebraico Nas sinagogas, os rabinos de linhagem cohen fazem o gesto, mas quem pronuncia os versos é o chazan (cantor litúrgico), e só então os cohanim os repetem: “Que D’us te abençoe e te guarde! / Que a face de D’us brilhe sobre ti e que Ele faça que encontre graça (a Seus olhos)! / Que D’us erga Sua face para ti e te dê a paz!”

É curioso que Nimoy tenha recorrido à religião para compor o personagem de orelhas pontiagudas que é a antítese de um religioso.

O mestiço de vulcano com humano Spock, oficial de ciência da nave, se diferencia dos demais integrantes da Enterprise por ser extremamente racional. Suas orientações ao capitão Kirk são com base em informações lógicas, sem qualquer tipo de contaminação da emoção ou de alguma fé. Spock é apresentado como uma espécie de símbolo da superioridade da razão absoluta.

Em uma entrevista à Veja em outubro de 2003, Nimoy disse ter estranhado que os judeus ortodoxos nunca tenham reclamado do uso por Spock do gesto dos rabinos.

Segundo o próprio Mr. Spock

Nunca sonhei que faria isso algum dia, mas enquanto fazíamos Star Trek recebemos um roteiro adorável, em que meu personagem Spock deveria voltar a seu planeta para cumprir um acordo matrimonial (…). Eu deveria trocar olás com a mulher que conduziria a cerimônia, mas essa era a primeira vez em que veríamos outro ser da minha raça.

Eu queria encontrar um toque que desenvolvesse a história, sociologia ou os rituais Vulcanos, e disse ao diretor que deveríamos ter um cumprimento especial (…). Eu sugeri o gesto, e ele disse ok. A coisa decolou. Dias depois da exibição, as pessoas começaram a repetir o gesto para mim nas ruas. Faz 50 anos, mas as pessoas ainda fazem isso para mim. A maioria das pessoas, até hoje, não sabem nada sobre o que aquilo significa. É como um aperto de mão secreto, uma piada interna de Star Trek, mas as pessoas não sabem que estão abençoando umas às outras quando fazem esse sinal. É ótimo.”

É meio surreal pensar o tamanho que esse gesto ganhou e perceber, de tabela, o significado que até mesmo a cultura pop pode carregar em uma sociedade tão ensimesmada como a nossa. Os seus momentos perfeitos estão guardados na nossa memória (e em nossos gestos), Mr. Nimoy.

Fica a dica nesses tempos difíceis parece que STAR TREK, com sua visão futurista  ensina  como nos cumprimentarmos, uma saída para tempos dificeis de corona vírus.

Klênio Kirk

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